Lei 14.066/2020: o que mudou na segurança de barragens
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Equipe técnica Parnna16.09.20262 min de leitura

O Plano de Ação de Emergência (PAE) é o documento que diz o que fazer se uma barragem apresentar risco de ruptura: quem avisa quem, em quanto tempo, e quem precisa sair de onde. Tudo isso depende de um estudo técnico anterior — a simulação da ruptura hipotética, conhecida como dam break.
A Política Nacional de Segurança de Barragens (Lei 12.334/2010, com as alterações da Lei 14.066/2020) exige o PAE conforme a classificação da barragem, e as resoluções dos órgãos fiscalizadores detalham o conteúdo. Mas, para além do que a norma lista, há o que o estudo precisa entregar para funcionar.
A ruptura hipotética começa pela definição do modo de falha (galgamento ou erosão interna, por exemplo), da condição do reservatório no momento da falha e da geometria da brecha. Os parâmetros da brecha — largura, altura, tempo de formação — costumam ser estimados por equações empíricas consagradas, como as de Froehlich, e devem ser testados em análise de sensibilidade: a vazão de pico é muito sensível a eles.
O hidrograma descreve como a vazão sai do reservatório ao longo do tempo. É o dado de entrada da propagação e precisa considerar o volume armazenado, a curva cota-volume atualizada e, em barragens de rejeito, o comportamento do material mobilizado, que não se comporta como água limpa.
A onda de ruptura sai da calha e ocupa o vale. Um modelo 2D representa esse espalhamento e fornece, em cada ponto, a profundidade máxima, a velocidade e o tempo de chegada. A qualidade depende do modelo digital de terreno: o vale a jusante precisa estar bem representado até onde a onda deixa de causar dano.
O órgão fiscalizador, o auditor e a próxima revisão periódica precisam conseguir refazer o estudo. Isso significa entregar geometria, parâmetros, versões de software e premissas, e não apenas o mapa final.
O vale a jusante muda: surgem bairros, estradas, novas estruturas. O estudo de ruptura precisa ser revisto quando a ocupação ou a barragem mudam, e é boa prática revisá-lo junto com a Revisão Periódica de Segurança. Um PAE com mapa desatualizado é um plano para uma realidade que já não existe.
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